Das Artes Marciais.

Primeiro cabe diferenciar as Artes Marciais Tradicionais. Quando, por exemplo, se pergunta para praticantes dedicados de Kung Fu sobre a praticidade da luta para o uso em defesa pessoal, eles dirão que é uma arte testada em mais de 1000 anos de guerras pela China. Esse vídeo de uma luta entre dois mestres de kung fu em 1953 mostra que tudo se resume a socos mal dados e uns chutes básicos.

Portanto ter funcionado em 1000 anos de guerras pela China não serve como prova de que funcionará na atualidade. As agressões são outras.

Então falemos sobre as Artes Marciais Modernas.

Começo com o famoso Jiu-jítsu Brasileiro ou Gracie Jiu-jítsu ou BJJ, como queiram. Teoricamente são duas lutas diferentes. O GJJ é mais voltado para a defesa pessoal, uma Arte simples, voltado ao que funciona, na minha opinião é uma simplificação do Judô original, voltada a dominar o oponente com técnica e não aleijá-lo com a força. Temos o livro do Grande Mestre Hélio Gracie que apresenta o GJJ.

Já o BJJ se tornou um esporte, fazendo com que se torna-se a luta mais especializada em combate no solo (vulgarmente se esfregar no chão). Nada contra, muito pelo contrário, é uma arte marcial que tem sua validade em si mesma. Entretanto, para a defesa pessoal não é perfeitamente aplicável de forma automática.

Pois conforme coloquei, o BJJ se especializou em combate no solo. E em termos de defesa é a última coisa que se quer fazer é justamente ir ao solo, pois enquanto você está combatendo um oponente no solo, se concentrando nele, estará aberto a sofrer ataque de outro oponente em pé. Por isso ir ao chão só em último caso. E mesmo não sendo recomendado deve ser treinado.

A solução é ter em mente que é um esporte onde duas pessoas lutam no solo vestindo GIs e concentrada unicamente no seu oponente, por isso é uma Arte não apenas mais complexa como também mais complicada, voltada ao que funciona no combate no solo. E daí se extrair as técnicas adequadas para a defesa pessoal. Pessimamente falando, seria como extrair o GJJ do BJJ. Se você tiver o professor certo, ele (ou ela, conheço excelente professoras dessa Arte e mais mulheres deveriam praticar) fará ver que do esporte se aprende defesa pessoal.

Alguém que faz isso, pelo menos do pouco que sei, bem é o ramo da família radicada nos EUA que ensinam no Gracie University. Nos faixas branca e azul (as outras são, em ordem, roxa, marrom e preta) se concentra na parte voltada a defesa pessoal e após volta-se ao currículo geral do BJJ. E se tiver dedicação, se completa essas duas faixas em 2 anos. É um raciocínio interessante, já que enquanto o aluno não participa muito intensamente de campeonatos ele se concentra na parte defesa pessoal para depois, quando já estiver mais próximo de competir já entra no currículo geral.

Outra luta acessível ao brasileiro seria o Judô, entretanto o esporte olímpico dominou a arte marcial. Não feliz de resumir a luta às quedas, o IJF tolheu ainda mais o Judô, quando retirou há um tempo atrás os golpes nas pernas. Se achar um professor com uma postura mais clássica, é uma boa opção.

No Brasil essas são as duas principais Artes Marciais que envolvem o combate em solo, e como já comentei antes, isso é só parte do problema, a outra é o combate em pé.

Temos o Caratê, o seu maior problema é a falta clássica de treino com contato entre alunos. O único estilo onde se deve treinar sempre com contato é o Kyokushin. Infelizmente é um estilo novo, de 1964, e por isso é pouco divulgado no país por falta de professores.

Temos o Hapkido. A idéia é até boa, entretanto muito dos estilos se baseiam em premissas fantasiosas de combate. Ao menos na maioria dos estilos não ocorrem o treino com contato pois afirmam que é uma arte letal. Sem falar que o conhecimento do estilo se petrifica pois “assim foi criado pelo fundador”. Essa falta de pensamento crítico dentro da Arte é perigosa.

Aikido. Uma boa idéia pessimamente implementada. A idéia de se controlar um oponente por torções das juntas é pessimamente implementada com ausência de resistência nos treinos. E se alguém for torcer o meu braço, não ficarei imóvel esperando a dor. Se levar em consideração essa limitação da Arte, é algo a ser estudado como parte de um arsenal. Um estilo bem eficiente é o Yoshinkan, que é o utilizado pela grupo de controle de multidão da polícia de Tóquio.

Boxe/Muay Thai. Coloquei as Artes juntas pois não consigo imaginá-las separas. Boxe é uma luta de trocas de socos, enquanto o Muay Thai são socos, chutes, joelhadas e cotoveladas. Não tenho como não incentivar mais o estudo e prática de ambas as Artes. Enquanto o boxe ensinará a socar melhor do que o muay thai, este ensinará todo o resto. Em um ano de estudo sério, muay thai 3x e boxe 2x por semana, uma pessoa já saberá tudo o que precisa para brigar em pé. Só precisando praticar para se manter apto a lutar e continuar o treino em velocidade de cruzeiro, o importante já foi atingido.

Arnis/Eskrima/Kali. Nomes diferentes para a Arte Filipina de combate de bastão/faca/espadas. Indispensável em um mundo moderno no qual a arma de fogo é um item contraindicado de se portar na rua. O problema é a constante mercantilização da Arte. A Arte foi criada para o combate inter-tribos e depois continuamente utilizada como forma de defesa. Por isso foi criada sendo simples e direta, para que as pessoas pudessem aprendê-la no menor tempo possível. Entretanto, desde os anos de 1960, quando a Arte foi para os EUA com os imigrantes filipinos começaram a se formar os grandes estilos de dominam o FMA (filipino martial arts) de hoje. Assim como forma de manter a entrada de dinheiro na organização se fica sempre criando coisas novas, principalmente bloqueios, como forma atrair mais alunos e não parecer uma organização estagnada. E invariavelmente ocorre muita invenção apenas para se oferecer novos seminários. No Brasil existem grupos que treinam a Arte, não posso dizer se são sérios ou não, mas que vale conhecer mais de perto para se ter certeza.

Da própria segurança.

Não me compreendam mal, mas cabe a pessoa preservar a própria integridade física. Não é importante se são 65% ou 26% que acreditam que a mulher se permite ser agredida sexualmente por estar com roupa que acreditam ser inadequada. Não é questão de perpetuar machismo, mas enquanto existir homens que consideram mulheres como alvos de sua vontade, as mulheres precisam aprender a não só se defender, como se preservarem.

Isso vale para qualquer pessoa, já que segurança é uma sensação, não um fato. Quantas reportagens são feitas mostrando crimes ocorridos próximos de cabines da PM ou de delegacias? Quando um criminoso decide vitimar alguém, não adiantam estatísticas ou páginas no facebook. A pessoa está solitariamente tendo de se defender.

Em relação as roupas, não se trata apenas de exposição de corpo, no caso de estupro, significa facilidade. Por exemplo, uma mulher de saia é mais facilmente atacável do que uma de macacão. Da mesma forma que uma criança de 4 anos é mais facilmente atacável do que uma mulher adulta. Os crimes sexuais não são sobre sexo. Sexo se consegue facilmente de graça ou pagando. Se busca poder nos crimes de violência sexual. O poder de dominar e humilhar um ser, de se controlar, de sobrepujar a vontade do outro. Por isso que a mulher precisa aprender a se preservar.

Sobre as melhores de vestuário e como ter pensamento voltado para comportamento seguro, existem sites melhores do que este para se ler.

Já sobre defesa, escreverei nas próximos posts.

Divido com quem me lê esse pequeno vídeo do filósofo Louis C.K. sobre como os homens são o maior perigo para as mulheres.

A Verdade!

O vernáculo “verdade”, de acordo com o dicionário Houaiss disponibilizado no site UOL tem a definição “propriedade de estar conforme com os fatos ou a realidade”. Esse pensamento vem desde a filosofia grega com o mito da caverna platônico, passando pelo pensamento religioso de Santo Agostinho com o Cidade de Deus, chegando até o que eu escrevo aqui. Que no meu melhor conhecimento, enquanto isto escrevo, é o trabalho mais recente sobre a “verdade”.

Todas as idéias até agora formuladas partem do pressuposto que a “verdade” é uma das características da realidade, tal qual uniformidade também a é. Assim todo o problema não se encontra propriamente na “verdade” já que ela é um conceito – ou fato, como preferir – absoluto em si mesmo. Da mesma forma que os números também os são. O número 1 é 1 em qual lugar do universo, significando o mesmo para todos, independendo da vontade do indivíduo.

Portanto não sendo a “verdade” o centro do problema, só nos resta os indivíduos que a procuram.

Tudo relacionado sobre “verdade” está na nossa incapacidade de percebê-la direta, clara e integralmente. Então em nossa incapacidade está nossa desolação.

Podemos observar nossa incapacidade coletiva de perceber a “verdade” quando pensamos religião. Luta-se pelo monopólio da “verdade” religiosa como se com sangue, dor e sofrimento fossem as melhores ferramentas adequadas para o convencimento. E mesmo depois de milênios de provas em contrário, ainda não tentam de outra forma. Bem, pelo menos na maioria das fés estabelecidas.

Então como podemos chegar até a “verdade”? Já que o problema está em nossa incapacidade de percebê-la, reconhecendo isso deve existir uma maneira de mudar. Afinal da mesma forma de se pode sair de um corpo doente e sedentário e, por meio de atividades físicas, chegar até um corpo saudável e ativo, deve existir algo que podemos fazer para melhorar nossa percepção!

Infelizmente não há…

Somos totais e absolutamente solitários em nossas vidas. Estamos presos no nosso corpo e em nossas próprias percepções. Por exemplo, será que esse vermelho que você vê é o mesmo que eu vejo?! Será que você conseguiria explicar a um cego sobre aquele vermelho? O que será que ele entenderia? Como saber o que ele entendeu? Nós somos limitados por nossas palavras. E nela somos cerceados em dividir nossas percepções. Nos tornando únicos em nossas experiências, em nossas percepções. Micheal do canal do youtube VSAUCE fez um vídeo ano passado justamente sobre isso, está em inglês, e o link está aqui: Is Your Red The Same as My Red?

Então como podemos ao menos melhorar minha percepção da realidade?

O máximo que posso dividir é o que eu faço… abrir a mente.

Isso mesmo, abrir a mente. Ter acesso aos mais diversos pensamentos, conhecimentos e opiniões. Sendo nossa existência solitária, devemos desenclaustrar nossas mentes. Existe um mundo de pessoas com quem podemos aprender… Livros escritos ontem ou mesmo mil anos atrás são capazes de nos abrir a mente. A internet nos permite muito mais do que ter acesso a piadinhas, pornografia e fofocas. Nada contra, nem a favor disso tudo, apenas que podemos ir além… muito além.

Podemos ter acesso ao Mundo!!!

E como já disse Mark Twain em seu livro sobre sua viagem pela Europa e Terra Santa: Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância, e estreiteza mental, e muitos de nós precisam urgentemente saber disso. Uma visão aberta, saudável e caridosa dos homens e das coisas não pode ser adquirida vegetando em sua única vida em um cantinho da terra.” Caso queira um – belo – desenho sobre essa citação, ofereço o que ZEN PENCILS fez.

Processos e Procedimentos.

Para tudo o que se quer alcançar na vida só é possível por duas vias: processos ou sorte.

Considerando que a sorte não cabe a mim esperar, só me resta atenção perseverar pelo caminho dos processos. E seus procedimentos, é claro.

Procedimento são ações que devem ser realizadas em determinada situação. Por exemplo, a torneira está aberta desperdiçando água? o procedimento correto a se seguir é fechá-la.

Já processos são os procedimentos organizados logicamento fluindo em direção a um fim desejado. Por exemplo, para ter ter a louça limpa se faz necessário abrir a torneira, limpar com bucha e detergente, enxaguar tudo, colocar a louça no escorredor e por fim, fechar a torneira.

Qual o propósito disso tudo? À uma jornada. O ponto final será o último suspiro na última luz, e até o este momento derradeiro temos uma jornada de fim inevitável. O fim pode ser desconhecido e imponderável, porém o caminho para se chegar lá não o é!

Processos e procedimentos apenas são realmente úteis quando sobrevivem ao seu criador e alcança os que precisam ou querem saber eles. A isso se chama documentação. Isso existir, a documentação, é vital para qualquer processo. Pergunte à alguém de programação como ter a documentação facilita seu trabalho. E sua ausência é temerária, passa-se a não saber o que ocorre quando e onde. Como reagir a cada situação prevista ou já experimentada. Como reagir ao que se encontra ineditamente. O que fazer quando a vida acontece em sua frente…

A esta questão não possuo a resposta. A Vida é um conceito inalcançável para mim, confesso. Mesmo, jocosamente, quando digo que sou um “colosso intelectual dotado de gênio” não posso me permitir a ludibriar quem quer que seja com arroubos transcendentes de qualquer natureza. Não posso dizer que sei isso ou aquilo sobre a vida, apenas digo o que eu sei sobre o que eu vivi e sobre o que penso.

O que penso é que sobre a vida é o que eu penso sobre como se deve correr uma maratona… um passo por vez.

Conceitos difíceis, complexos ou mesmo inalcançáveis podem e devem ser fracionados para assim a mente poder compreender, absorver e manipulá-los.

E é isso que eu me presto a fazer aqui: documentar o que eu penso sobre as coisas e oferecê-las a quem quer que queira me dedicar um pouco de seu escasso tempo. Oferecer processos e procedimentos que acredito serem salutares de se ter e seguir.

O meu primeiro conselho é algo tão basilar até pouco tempo, tenha e persevere em seus objetivos. Não acredite que a sorte irá sorrir para você. Não permita que o imponderável controle sua vida. Com seus pés cabe você caminhar. Dedique tempo e esforço consciente e direcionado, que garanto que progresso ocorrerá. Ofereço como exemplo um provérbio chinês que diz “toda a grande caminhada começa com um primeiro passo”.

Toda maratona não passa de uma grande sequência de passos. Um passo, depois outro passo formando uma passada, depois outra e mais outra e mais outra… até a linha final. Para se obter o sucesso em uma maratona deve-se preparar. Treinar! Cruzar a linha final não é obra do acaso ou da sorte. O esforço persistente é o que leva até a linha final.

Por isso divido à quem estas linhas chegarem. Dedique o seu tempo, esforce-se de forma consciente e direcionada e que ao final haverá alcançado melhoras. Tudo graças ao esforço próprio e aptidão, não a algum lampejo de sorte. Uma que provará o que digo é a Karen.

Caminhe sempre para onde se quer ir. Caminhe sempre com as próprias pernas. Vá e não aguarde o imponderável…

Se isto que escrevi fora-lhe útil de alguma forma, regojizo-me em saber. Se não… bom, se não, só lhe resta ir tentar a sorte em outro lugar.

Cordialmente,

H.C.F.